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Usai, mas não abuseis: tal é a lei

 

Discorrendo sobre o Livro “O Evangelho segundo o Espiritismo”, encontraremos no Cap. V, no item 26, essa assertiva que nos traz algumas reflexões sobre o corpo físico e o uso que fazemos desse instrumento sagrado que Deus nos emprestou, enquanto nos encontramos em trânsito na vida terrena.


Na obra “Missionários da Luz”, do espírito André Luiz, podemos verificar a história de Segismundo, que necessita retornar ao mundo físico para resgatar débitos contraídos no pretérito e a preparação no mundo espiritual, a fim de que ele reencarne (a expressão “mundo físico” consta na linha anterior) para cumprir sua missão. O espírito André Luiz mostra-nos nessa maravilhosa obra a engenhosidade, o empenho e o cuidado que os espíritos benfeitores têm para planejar e organizar um novo corpo físico e a sua importância no nosso processo de desenvolvimento moral e intelectual.


Assim, como o trabalhador necessita de instrumentos para laborar no campo do seu conhecimento, através do computador, do lápis, de uma enxada, etc., a fim de proporcionar o progresso socioeconômico de uma cidade ou de um país, o espírito necessita do corpo material para mergulhar no mundo físico para atender a diversas necessidades.


Seja para executar uma missão superior, quando contribui para o conhecimento filosófico, científico, seja para vivenciar exemplos plenos de amor, visando o avanço da humanidade ou em situações de reparação, resgate ou expiação de um passado delituoso. Vale ressaltar que não retornamos para sofrer no sentido pleno da palavra. O sofrimento que o ser humano sente faz parte da vida terrena, devido à natureza das coisas. A questão é saber como estamos passando pelos processos provacionais e expiatórios.


O atleta, quando almeja o “podium”, terá que se submeter a uma vida de regras e disciplinas. Dias, semanas, meses de exercícios para sua preparação, a fim de competir e vencer. Com certeza sofrerá com os exercícios, por causa da natureza da matéria, porém esse sofrimento natural será superado pela motivação e determinação em alcançar sua meta.


Assim é com o espírito em prova ou expiação. Estamos na Terra para atingir metas: aprender a perdoar, a servir, a desenvolver talentos, a contribuir para a sociedade positivamente, a passar por processos de enfermidades físicas. Contudo, se passamos a enxergá-las como oportunidades de libertação, de exercício para a conquista da paz de consciência e harmonia com o Universo, o sofrimento inerente à natureza da vida terrena, será superado no dia-a-dia, através da oração, da paciência e esperança e, após a tempestade, dele sairemos triunfantes para o novo dia.


Por isso Jesus afirmava: “Bem-aventurados os que sofrem, porque serão consolados”. O maior sofrimento decorre da rebeldia e descrença em Deus e na sua providência, que dá sempre novas oportunidades para que seu filho recomece e construa um novo caminho de amor.


Contudo, ao chegarmos à vida física acabamos nos distraindo com os prazeres, com as preocupações, aflições, com os desejos e utilizamos nosso precioso instrumento para satisfazer nossos caprichos pueris ou reviver situações desastrosas.


Como não conseguimos resolver os conflitos existenciais, encarando-os como são e buscando a sua raiz para, após, resolvê-los equilibradamente, o ego direciona nossa energia para o consumo desenfreado dos bens materiais, para o uso de substâncias psicoativas, para o álcool, para a preocupação exterior com a aparência pessoal, para uma vida devotada tão somente ao trabalho, pensando apenas em enriquecer. Com isso, canaliza-se a energia para propósitos menos felizes.


Acabamos utilizando o corpo físico para as conquistas externas ou para satisfazer as paixões e instintos como a sexolatria, a jogatina, o uso das drogas e do álcool. Vivendo apenas do pescoço para baixo, esquecidos de que a vida não se resume às sensações do corpo e das consequências que teremos que assumir e viver ainda nesta vida ou quando atravessarmos o portal da morte.


Aí, toda a verdade virá à tona. A lei de causa e efeito agirá sobre nós e a consciência perguntará: que fizeste do corpo de te emprestei, do tempo disponível que te dei, das dificuldades econômicas e físicas para te ocupar e não se distrair com as paixões inferiores? Haverá choro e ranger de dentes, segundo afirmou Jesus.


Confirmando, o que aqui fazemos carregamos conosco e a reação da lei divina é impostergável. Não como uma vingança, mas como processo natural, assim como o livre-arbítrio com que fomos dotados para escolher entre um caminho e outro. A divindade é como uma instituição bancária, que empresta recursos financeiros, porém o devedor terá que prestar contas a partir de certo prazo estabelecido, ao contrário, sofrerá as penalidades estabelecidas pelo sistema financeiro.


Por isso devemos meditar sobre nossa existência e tudo que a envolve. Desde nossos tutores maternais e paternais, que por mais que tenhamos rusgas, conflitos e embates com eles, foi o melhor que a providência divina achou que merecíamos e, por meio deles, tivemos a bendita oportunidade de estarmos na vida. Durante nove meses, estivemos no ventre materno, passamos por todos os estágios ancestrais evolutivos, que divino!, e tudo foi providenciado com amor e carinho pelos benfeitores caridosos. Se imaginássemos, segundo a segundo, no nosso dia, a grandiosidade desse trabalho, perderíamos menos tempo na frivolidade, nas queixas, nos aborrecimentos e na preguiça mental.


Aproveitemos mais o tempo, valorizando o corpo físico, dando-lhe o melhor, cuidando para não bombardeá-lo com os pensamentos malsãos, que destroem e adoecem as células. Não cultivando por muito tempo a raiva e a mágoa que podem causar câncer. Utilizando nossas pernas para irem em direção à verdade, as mãos para afagar quem delas necessitarem e que da nossa boca saiam palavras instrutivas para aliviar as dores dos irmãos do caminho.


E, por fim, agradecer ao Senhor da vida pelo corpo físico que nos foi emprestado, não importa se é belo ou feio, pela saúde, pela doença, pela pobreza, pela riqueza, pelos amigos, pelos inimigos, pelas dificuldades, pelas facilidades. Enfim, sermos mais gratos à vida que, por mais difícil que seja, é apenas um exercício para o crescimento espiritual a que todos estão predestinados.

Ana Cláudia de Jesus Barreto

 

 

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