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Jesus, José de Arimatéia e Nicodemus

 

 

A autora espiritual Amélia Rodrigues, no livro “A mensagem do Amor Imortal”, nos traz uma reflexão interessante em torno das personalidades de José de Arimatéia e Nicodemus. Ambos foram integrantes do Sinédrio, local destinado aos julgamentos. Podemos compará-lo, hoje, ao Tribunal de Justiça, sendo que as decisões ali tomadas eram baseadas nas leis mosaicas, a fim de determinar o destino daqueles que cometiam crimes contra aquela sociedade. Tais decisões eram regidas por homens endurecidos, que se preocupavam mais com as práticas exteriores de adoração a Deus e com o acúmulo de riqueza, seguidores fiéis da lei do olho por olho, dente por dente.

Não conheciam, até a chegada do Messias, a verdadeira vida, plasmada através das suas doces e meigas palavras e dos seus atos contínuos e extremamente pedagógicos, enquanto esteve entre os pobres de espírito. Contudo, dentre os fariseus, uns se deixaram tocar pela mensagem de amor, apesar de não assumirem essa postura temendo represálias e preconceitos.

Tal foi o caso de José de Arimáteia e Nicodemus. O primeiro, homem rico e juiz, não concordou com a pena de morte imposta a Jesus. Esperava-o desde os prenúncios proféticos. Teve a certeza da sua chegada, ao ouvir sobre seus feitos de amor e misericórdia. Por onde passava deixava seu aroma peculiar e inesquecível para aqueles sedentos de luz-amor. Seguia-o no silêncio interno. O segundo, também grande conhecedor das leis mosaicas, mas com a alma inquieta, aproveitou a noite para estar com Ele, a fim de entender o princípio da lei da reencarnação. Mas, após aquele momento ímpar, nunca mais foi o mesmo, levando-o no seu Íntimo sem, contudo, revelar tal fato para os seus amigos.

Aceitar Jesus e caminhar com Ele, exige de cada um de nós - que guarda um José de Arimáteia ou um Nicodemus internamente - um largo exercício espiritual de desenvolvimento de coragem, determinação, dedicação e, acima de tudo, assumir um novo modo de vida, mesmo que contrarie os velhos amigos e familiares que têm uma perspectiva de vida diferente daquela apresentada para nós, pelo Rabi da Galiléia.

Muitas vezes negamos Jesus, quando receamos falar dos seus ensinos para irmãos do caminho que nos chegam relatando seus sofrimentos; para aqueles que estão odiando, devido a processos de mágoas agasalhadas no coração e que ainda não sentiram a paz do perdão; para aqueles que estão se deixando consumir pela inveja e pelo ciúme e acabam enlouquecendo pelo desejo da posse transitória.

Assumir Jesus internamente é um grande passo, mas, externamente, é um passo ainda maior pois que exige coragem, aquela que faltou a José de Arimatéia e a Nicodemus. Mas essa coragem não faltou a Paulo de Tarso que, destemido e ciente do que teria a enfrentar, assumiu sua nova vida dizendo: vivo eu, mas “não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. (cf. Gl-2, 20).

Tememos preconceitos, afastamento de amigos e de familiares. Preferimos permanecer na zona de conforto, do que travar a guerra contra nós. Assumi-lo também implica em mudanças de sentimentos e padrões constituídos ao longo de várias existências físicas. Não abdicamos dos fins de semana para estarmos em um núcleo de estudo espírita, não reservamos uma hora do dia para convidar Jesus a estar conosco no lar, pensamos duas ou mais vezes para ir visitar aqueles que estão necessitando de carinho nas casas de abrigo. O eu fala mais do que o nós! Por isso Jesus disse: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles”. (Mateus 18:20). Isso não quer dizer que, ao estarmos sozinhos, Ele não estará conosco, mas que ao estarmos juntos estamos sendo solidários e exercitando a fraternidade.

José de Arimáteia e Nicodemus enterraram o corpo de Jesus. José teve a coragem de solicitar a Pilatos para realizar o sepultamento, após o holocausto. Nicodemus teve a preocupação de levar as especiarias perfumadas para cuidar do corpo. Tiveram o cuidado de preservar o seu corpo, pois era comum deixar os corpos dos crucificados expostos ao tempo e aos abutres.

José, homem rico, tinha uma sepultura vazia e foi nela que guardou o corpo de Jesus. No mundo ainda temos muitos Josés e Nicodemus, que se preocupam apenas em reverenciar um Jesus crucificado e mortificado. Não é essa a proposta do Cristo certamente. Pelos seus ensinos compreendemos que a maior homenagem que devemos lhe fazer é promover o nosso autoencontro, enxergar quem realmente somos e para que estamos aqui na Terra e, com aquela coragem de Paulo de Tarso somada à fé de Joana de Cusa, remover nossas tendências doentias e perversas.

Vivemos momentos cruciais e decisivos no planeta Terra. As doenças psicossomáticas e a depressão crescem velozmente. As pessoas andam insatisfeitas com a vida que levam e acabam fugindo de si mesmas através do consumismo desenfreado, do uso de alucinógenos ou do autocídio. Momento de transição! E onde nos situamos nesse processo? Reverenciando um Jesus morto? Temendo vencer a nós mesmos? Ou estamos sendo inteligentes, aproveitando as horas contribuindo para o melhoramento das vibrações do globo terrestre, cuidando do espírito com leituras e programas saudáveis, minorando o sofrimento do nosso próximo?

Cada um responderá pelas próprias ações no tribunal da consciência. A fim de evitar maiores desastres na nossa trajetória espiritual, Deus, na sua bondade infinita, nos abençoou proporcionando-nos os ensinos dos espíritos. Não mais podemos usar a desculpa de que não tínhamos tais informações, que estávamos cegos da alma homenageando um Jesus morto, ao invés de cultivá-lo Vivo!

Incansavelmente, o Jesus vivo nos aguarda enquanto vivemos a morbidez dos dias frios, presos ao egocentrismo e ao orgulho, preocupados com as aparências ou com os investimentos em tudo que é permeável. A grande vitória dos discípulos sobre si mesmos se deu nos momentos derradeiros de demonstração de fé e renúncia nos circos e nas fogueiras. Hoje não há essas instituições punitivas por seguir Jesus.

Os sacrifícios são outros, a nível moral. Quanta resistência nós temos para perdoar a quem nos prejudica e nos trai a confiança? Quanta resistência nós ainda temos em sermos mais doces e amáveis com aqueles que são nossos desafetos e que se encontram dentro do lar? Quanta resistência para deixarmos nossos preconceitos de lado e entender o outro como ele é e não como gostaríamos que fosse? Quanta resistência para sermos justos, sinceros e leais a nós mesmos. Enquanto isso criamos nódulos mentais que nos impedem de avançar rumo à libertação da auto-obsessão e das obsessões que obrigatoriamente nos empurram pelo caminho da dor ao invés de entender o Jesus Vivo.

Ana Cláudia de Jesus Barreto

 

 

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